O PERIGO DO PENSAMENTO DUALISTA
O perigo do pensamento dualista
“Se você não tiver cuidado, os jornais os ensinarão a odiar os oprimidos e amar os opressores.” - Malcom X
Nada é bom ou mau, o pensamento é que faz as coisas assim. ( William Shakespeare)
“Se você não tiver cuidado, os jornais os ensinarão a odiar os oprimidos e amar os opressores.” - Malcom X
Nada é bom ou mau, o pensamento é que faz as coisas assim. ( William Shakespeare)
O pensamento dualista é normalmente muito utilizado pela imprensa, por ditadores e por políticos de todos os tempos, revelando-se como uma das melhores ferramentas de controle e manipulação da população em geral. Outro local em que essa linha de raciocínio predomina (atenção, peguem suas pedras) é o campo religioso (agora, joguem-nas!). Mas o que é o pensamento dualista? Vamos fazer, então, uma breve introdução sobre o tema.
A força motriz por trás deste tipo de pensamento está na contraposição entre duas idéias extremas, sejam elas quais forem (bem x mal, esquerda x direita, polícia x bandido, brancos x negros, etc). Este tipo de pensamento tende a polarizar qualquer argumento para um dos extremos, sendo extremamente intolerante a tons cinzentos e indefinidos.
É um tipo de pensamento que casa muito bem com a literatura fantástica ou as produções hollywoodianas, onde o observador sabe claramente para quem torcer, mas é extremamente idiotizante no mundo real.
Infelizmente, este é o tipo de pensamento que mais se perpetua pela internet afora, bastando dar uma olhada em qualquer fórum online para aperceber-se de sua existência. Acredito que isso aconteça por ser uma das formas mais simplistas de se pensar sobre qualquer assunto, sendo, inclusive, a forma tradicional das crianças verem o mundo (basta observar que a maioria dos contos infantis deixam claro o que é certo e o que é errado, não existindo espaços para um “meio-vilão”). Como conseqüência, grande parte dos adultos não atravessam essa barreira, ficando eternamente presos a essa visão ultrapassada e retrógrada sobre tudo.
Mas o verdadeiro perigo está quando alguém se utiliza dessa linha de raciocínio para influenciar e dominar os outros. Ao não permitir a existência de outra forma de pensar que não as duas escolhidas pelo manipulador, extrema-se aqueles que muitas vezes seriam razoáveis em condições normais. E os mais inteligentes sabem muito bem quando utilizar-se da empatia ou antipatia do ouvinte pelas suas idéias! Exemplificarei.
Se eu sei que uma pessoa é absolutamente contra determinado partido (esse é o momento em que os utilizadores desse argumento falarão que eu sou PT ou PSDB), usa-se o antagonismo extremado dela para trazê-la para a sua posição extremada. Da mesma forma, se sei que ela é simpática a alguma das idéias de um partido, automaticamente coloco-a na vala comum extremada deste partido dizendo que ou ela é um ou é outro, sem meios termos para argumentação.
Outra forma de utilizá-lo é dar apenas duas opções, vinculando-se muitas vezes essas “opções” ao seu pensamento deturpado sobre o assunto, como por exemplo: o que você prefere, político ladrão e permissivo ou ditador honesto e firme?
Nesses tipos de pensamentos infantis e simplistas todas as outras variedades são omitidas até a pessoa se afeiçoar a uma das idéias, de forma que, quando ela entra em contato com as outras opções, já não se interesse mais nem por conhecê-las. Aí reside a verdadeira jóia da coroa: Leve a pessoa a pensar o que você quer, mas deixe-a acreditar que ela mesma chegou a essa opinião!
Atingido este patamar, os articuladores da mentira poderão retrair-se novamente ao seus casulos de verdades pré-fabricadas e desfrutarem do sucesso e aprovação de seus ideais pela maioria massacrante da opinião pública.
Uma forma para evitar enveredar-se por esse caminho é manter sempre uma postura diligente e uma atenção consciente sobre tudo, seja o assunto que for. Por mais tentador que seja desligar o seu cérebro e deixar-se ser guiado por alguma opinião pré-concebida e extremada, tente analisar os pontos de vistas contrários. Permita-se mudar de opinião, lembre-se do ditado que fala que “Somente os muito tolos ou muito sábios nunca mudam de opinião”.
Não deixem que mastiguem as informações para vocês, não se limitem às opções oferecidas pelos “conhecedores do assunto”. Escapem das limitações que lhe são impostas e que impedem que vocês mesmos cheguem ao processo de revelação. Atinjam o seu estado de nirvana intelectual!
O que vocês desejam para si: acreditar apenas no preto e no branco ou aceitar as diversas tonalidades de cinza que existem entre os dois?









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